Olha, por favor, se fosse pra ficar quieta, eu ao menos pediria. Agora que preciso de ajuda, sua voz se cala. Desculpa o quanto eu estou sendo arrogante, mas, por favor, muda pra alguma porra melhor, muda por favor, lhe suplico, se fosse para beijar as paredes, eu faria isso agora, se fosse para chorar por elas, também faria, mas não, estou apaixonado por você, que tem força de expressão entre outras coisas mais. Que parece que não tem. Por favor, vê se muda, ok? Quando mudar, me avisa, que é pra mim ver se consigo falar contigo normalmente, sabendo que haverá resposta à cada pergunta ou sabendo que você também me abraçará durante um beijo.
Enquanto isso não acontece, vai se foder. E não olha pra mim como um coitado, apesar de estar mal, eu ainda tenho minhas pernas pra me virar, contrário de você que está inteira e não sabe responder perguntas.
Caso algum advogado apareça aqui pra recolher todas as provas pra me prender e destruir tudo que eu consegui.
sábado, 1 de outubro de 2011
Fuck october. It'll be a shit.
E foi assim por um mês.
Cigarros, tensões, cerveja, risos, caretas, preocupações, esperas. Pra tudo acabar em lágrimas, amargura e chateação.
Irei contar-lhes tudo que aconteceu no mês, até o início trágico do atual.
Dia 08/09 - Primeira "cervejada" com os colegas do inglês. Fazemos isso sempre que pudemos agora, todos gostamos.
Ah sim, acho que saí com o Ygor, foi um bom rolê. Falar coisas engasgadas é bom, sabe. Falamos de praticamente tudo: os amores, os problemas pessoais, as preocupações, as ideias e todos os outros motivos de lágrimas. Após levar Ygor ao metrô, veio a confirmação da data de quando Nícolas iria vir para São Paulo. Me senti tão feliz, tão bem. Ele ainda lembrava-se de mim. Ele.
Parece mentira...
Vamos ao que disse hoje, o que aconteceu hoje. Não quero me focar num passado bom.
Começou bem o dia. Trinta de Setembro de dois mil e onze. Acordei com sono, muito sono. Fiz o de rotina, mandei SMS pra Jade com alguma coisa parecida com "odeio acordar sem ter voce deitada do meu lado" ou "odeio dormir sem ouvir a sua voz por último antes de dormi" e liguei o videogame. Minha mãe chegou pro almoço e ali começaram os pensamentos rotineiros deste horário; "será que ela vai pergunta como foi a aula de ontem?" , "e se dessa vez eu parecer grosso demais, será que ela se importa?".
Minha mãe, como todos já deveriam saber (ou simplesmente deduzir), está num estágio avançado de diabete e outros problemas cardíacos. Minha mãezinha querida, a primeira coisa que vi na vida, à um passo de morrer a qualquer momento. Estou suportando bem este fardo comparado ao resto da família. As tias não vêm mais aqui em casa, nem no aniversário dela houve exceção. As famílias das tais tias estão em casa, bem e rindo normalmente. Tudo normal para eles. Minha família tem um histórico antigo de falta de reciprocidade. Ajuda não falta à ninguém daqui de casa. Seja o tio preso pedindo para pagar fiança cara, seja tio alcoólatra precisando de tratamento, sendo primo sem rumo algum após o término repentino do noivado entre outros, mas voltando ao tópico de encarar bem a realidade, bom... Sou um vencedor sobre a tristeza (ao menos é o que parece HOJE), a mais triste realidade que podia vir neste momento, eu superei. Quer dizer, superei a ideia de minha mãe estar a um passo da morte. Não consigo esperar o pior, seria ruim demais. O resto da família parece chocada. Meus dois irmãos mais velhos brigam o tempo todo, socos, chutes e xingamentos. O tempo todo. Meu pai some o sábado e o domingo todo, sai de casa lá pelas nove da manhã e volta para o jantar (nove horas, aproximadamente), parece banal até as provas que minha mãe sempre encontra pra acusa-lo nas brigas, entre outras vezes que eu já ouvi ele com “Oi bê” ao atender o celular. Família desestruturada.
Os fardos parecem banais ao decorrer que as palavras vão se formando nesse texto, engraçado como palavras contam uma história de dor, né.
Mês de Setembro, ah setembro... Mês de grandes perdas. Amigos que se mataram, amigos que sumiram, amigos que se mudaram, amigos que se foram. Avenidas lotadas de carros que vão e voltam, local de tragédia com um garoto drogado e bêbado ao se jogar em frente ao caminhão que vinha em alta velocidade. Prédio residencial, um ótimo local para se jogar do seu apartamento enquanto fumava seu último cigarro e dava o último gole em seu uísque. A casa dos sonhos, nenhuma sogra ou família do marido para atrapalhar a pequena família já formada. O amor e o sonho de morrer cedo fazendo cabeça de quem já tinha tudo que queria, tudo que precisava. Um sonho atrás do outro, todos realizados. Todos dos outros.
O mês de outubro começou bem, apesar de ser um mês que terá todas as reuniões planejadas em setembro, não senti tamanha expectativa semelhante a que tive em relação à outubro. Um talvez sonhado encontro entre um casal que sempre tive nos sonhos, o tão esperado encontro de Nícolas, Lázaro e todos os “amigos” de São Paulo entre outros.
Era pra ter começado bem.
São três da manhã, por tanto, há cerca de duas horas tive o início de meu tão aclamado sumiço. Tenho em mente algo em torno de três semanas ou um mês, quem sabe. Já pensou, Nícolas está na festa do mercado triste por ninguém aparecer e repentinamente aparece seu amigo da internet para buscar lhe para o melhor rolê de sua vida. Mentira, isso não vai acontecer, só parecia uma boa ideia.
... Or I did last time I checked...
Chego em casa após o término do pior dia de aula. Foi o que mais ri. Estive sozinho o dia todo. A sala estava vazia, pra ser sincero. Cerca de metade da turma da bagunça faltou hoje para fazer furtos em algum local em que jovens ricos e trouxas aparecem com todo dinheiro arrecadado do fundo de garantia do pai milionário. Relógios, celulares, bonés, carteiras, tudo. Meus amigos simplesmente faltaram porque foram beber. Tinha me esquecido disso. As aulas mais tediosas e nenhum amigo pra conversar. Colegas, perdão.
Enfim, chego em casa, janto e venho para o computador. Minha gloriosa madrugada de sexta havia começado. Jade estava na Timeline e a partir daí me senti livre pra mandar tudo que viesse à cabeça. Um fav aqui e ali, coisa boba. Vi Nathaly ali no canto também trocando reply com seu pretendente perguntando coisas que não deveria perguntar pra uma menina que você vai ficar [quedar]. Mandei uma reply como com quem não queria nada, já senti-a meia estranha. Acho que mandei mais uma e, nenhuma resposta. Ela estava estranha, eu tinha feito merda. Quem sabe aquelas criancices que fiz à uns dois dias... A confirmação veio “com os outros eu não sei, mas comigo vc tava muito chato.” , “é só não ser uma pessoa 100% do contra pq o último que agiu assim comigo eu to querendo matar :))”. Ok.
Foi ficando tarde e Solerne comprou briga de novo sendo o mais babaca possível com Nícolas. Eu tinha que me meter nisso. Mandei tweets que pra mim faziam algum sentido (fazem), mas que todos odiaram. Sem exceção. Disse tudo, desde que tinha pessoas ali se preocupando com coisa que não deveria se preocupar, gente que fica muito tempo parada não fazendo porra nenhuma sem nem lembrar que existe vida fora de internet. Enfim, tudo. Até coisa pessoal eu joguei no ventilador (meio camuflado, claro) e meio que isso não refletiu bem.
Sabe quando você gosta de uma pessoa (não gostar amar, mas gostar como quem gosta de um professor ou algo do tipo) e ajuda ela em todos os casos, todos os momentos? Pois é, ai entra o que disse sobre minha família. O histórico e os registros ainda continuam com a falta de reciprocidade em ajudar. Você tá mal, mas ninguém vê isso. Nem a mulher dos seus sonhos. Nem ela. Todos ali olharam feio quando leram tudo que eu disse. Sem exceções. ‘vamo faze o favor de cresce ai arruma um emprego acorda cedo dormi tarde só pra cuida da propria vida e nao fica pelos canto tristinho’ não completei mas deveria ter colocado “Vamos arrumar um emprego, acordar cedo, dormir tarde e fingir que somos humanos, que ainda vivemos” ou algo do tipo. Pegou mal. E eu me passei por errado.
‘Tem gente reclamando de barriga cheia’ , ‘ai meu deus...’ entre outras coisas foi tudo que recebi. Reclamar de barriga cheia. Cara isso ainda não soa bem, não soa. Tudo que eu quero é dar um tapa na cara de cada um ali. Nomes? Posso falar tranquilamente, não quero manter uma amizade com esse pessoal filho da puta mesmo. Nathaly, Edson, Solerne, João, outros.
Outros não, o resto.
Filhos da puta insensíveis. Ninguém ali pode falar merda do que estou passando. Ninguém. Ninguém perdeu amigo, está pra perder a mãe, não consegue ir bem ao amor ou perdeu a base exemplar que eu tinha como eu. Eu tenho quatorze anos, caralho, olha as coisas que eu tenho que aguentar pra me manter bem e sorrindo pra um bando de filho da puta que não sabe o que é ajuda. Ninguém pode falar porra nenhuma. Ninguém.
Juro que limpei muito bem a cuspida que dei no avatar de cada um depois de mandar um show de dm’s pro Nícolas.
Quero falar um pouco da Nathaly, não posso falar dela em lugar algum, vou falar aqui que ninguém vê. Ajudei-a muito já. Antes de começar o projeto Lázaro, ela foi a primeira que eu gostei. De todos os pseudo-famosos, a única. A história dela parecia muito com a minha e de uma garota que eu gostava (mas ela conseguiu). Se não me engano, tinha o avatar da pitchulinha ainda, mandava alguns replys pra ela e pro QPAULIMSR se não me engano. Um reply aqui e outro ali. Descobri o blog dela. A válvula de escape dela. Li sem parar. Tudo. Duas, três, quatro vezes. No dia seguinte mandei reply com ‘voce escreve super bem, li seu blog todo, parabéns fia’ e ali ela começou a me seguir. Depois veio Nícolas e todo o resto da história com a qual não lembro um terço. Um orgulho o meu, meu maior exemplo de superação amorosa me seguindo. É o que eu penso até hoje às vezes. Quando não tenho nada pra pensar e penso no já ocorrido. Começaram as dms e tal. Nada muito secreto, só ajuda. “Esquece o felipe” ou coisas assim eu acho. Nada que rompesse, meu termo recém criado Follower Zone (funciona como a friend zone feminina com a diferença de que o following omite informações ou te trata sempre como algo inferior, algo que nunca pode virar um amigo). Até hoje eu acho que estou na Follower Zone de muita gente que eu considerava ali até hoje. Enfim, não foram uma, duas ou três vezes que ouvi, ajudei, superamos por hora e não fui ouvido, ajudado ou sequer respondido. É o destino, parece. As pessoas que gosto de conversar sempre gostam de falar de si mesmas. Jade, Nathaly, Lucas, Ygor. Nenhuma para pra me ouvir. Ah sim, uma pessoa me ouviu. Angela. Ela me ouviu quando estava na pior dor dela, coitada. Tenho dó dela às vezes. Tão nova e tão tristonha. Apesar de parecer hipocrisia pura, ela sofre, apesar de tudo, e ela sabe ajudar alguém, pode acreditar. Enfim, voltemos à Dona Amanda. Vocês acham que alguém ficaria puto se visse esse texto? Claro que ficaria. Quebraria meu elo de simpatia com todos ali. Não que eu quero algo com alguém ali, afinal, já consegui tudo que queria dali. Um amigo e uma pessoa pra amar, já tá bom demais. Enfim, enfim. Passamos alguns momentos marcantes conversando. Os finais de semana em que ela conversava com Felipe e ele sempre soltava algo que fizesse ela se sentir mal, a viagem para Minas Gerais, as primeiras impressões do caso Nathaly X Nícolas, entre outros. Foram importantes sabe, ela deve saber algo de mim. Apesar de ser foda ter inimizade com ela, eu não quero mais compartilhar as mesmas coisas com ela. Menos uma amizade que podia ter futuro, e como podia.
A primeira coisa que pensei em fazer quando surtei foi falar com alguém. Não podia me mexer na cadeira do computador, mas podia muito bem dar Alt+Tab e falar com Jade, quem sabe ela podia me ajudar né. Não. Errado, ela nunca me ajudou depois que eu disse que a amo. Nícolas deveria estar ali pra me ajudar, ele não iria dormir sem dizer o tão singelo “adeus” dele. “ce ta ai ainda”. O filho da puta é gente boa, o único ali que posso confiar. O único. Sempre esteve comigo, sempre. Amigo, o único que tenho. Qualquer hora, qualquer situação. Enfim, dei um show pra eles dentro da minha cabeça. Todos.
E as cortinas fecharam. Cansei. Nem Jade, nem ninguém. Ninguém. Nenhuma exceção.
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